05/05/2021 às 09h05min - Atualizada em 05/05/2021 às 09h05min

PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO Ó, DA CIDADE DE SÃO MIGUEL DOS CAMPOS - ALAGOAS.

Ernande Bezerra de Moura
O povoado de São Miguel, depois vila de São Miguel e consequentemente cidade de São Miguel dos Campos, já era Curato em 1683, sobre a vocação de Nossa Senhora do Ó.

Anos depois, o povoado foi transformado em Freguesia, fato que aconteceu em 1702.

Neste mesmo ano, aconteceu um fato lamentável, foi a destruição da igreja de Nossa Senhora do Livramento e da Ermida da Santa Cruz. Ambas foram destruídas pelas enchentes do Rio São Miguel.

Nesta época, a matriz de São Miguel era a igreja de  Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

Esta igreja passou quase dois séculos, sendo a matriz oficial do povoado.

Nos longos dos anos, ela sofreu bastante com às enchentes do rio São Miguel, chegando ao ponto de ficar toda desmoronada. A mesma foi demolida em 1938.

A igreja de Nossa Senhora do Ó foi alavancada em 1835, de frente para o rio São Miguel, no estilo barroco e rococó.

Antigamente a igreja só tinha uma torre, a torre do lado direito. A torre do lado esquerdo, não existia.

Na face da parede da frente, existe uma placa datada de 1910. Esta data retrata o ano da construção da laje de concreto na entrada, ela foi erguida para acomodar os grupos de orações e de louvores durante o decorrer da missa.

O relógio que foi colocado na torre direita foi uma doação do proprietário do engenho do Coité, Coronel Marcos Antônio da Silva, pai de José Marcos da Rocha da fazenda do Coité.

Ele foi instalado na torre em 1913. O relógio foi trazido da França para o porto do Francês e de lá, ele veio transportado de barcaças pelas águas do rio São Miguel.

Já a torre do lado esquerdo foi construída em 1921, e foi inaugurada pelo Padre Júlio de Albuquerque que tinha acabado de chegar a cidade de São Miguel dos Campos.

A torre foi uma prenda oferecida por dona Júlia da Rocha Santos a Nossa Senhora do Ó, como pagamento de uma ação de graças alcançada, pois ela estava muito doente e fez uma promessa com a santa, se por acaso ficasse boa, ela mandaria fazer a torre do lado esquerdo e foi o que aconteceu, ela ficou boa e mandou construí a torre.

Dona Júlia era esposa do Coronel Francisco da Rocha Santos, ex. prefeito intendente e comandante da guarda nacional do município de São Miguel dos Campos.

De frente para o obelisco Floriano Peixoto, atual Praça do Centenário, havia um terreno de propriedade da igreja, onde funcionava um cemitério. Hoje no local do cemitério funciona a Escola Municipal Imaculada Conceição.

Em 1970, na administração do Monsenhor Benício Dantas houve uma grande reforma na parte inferior da igreja, foi mudado alguma coisa da sua característica, principalmente o teto e o altar - mor.

Já sua capela - mor ganhou uma nova roupagem, cada detalhes da sua originalidade foram pincelados pelo artista plástico Fernando Lopes, considerado um dos maiores pintores de Alagoas e quiçá do Brasil.
 
Todos os anos, a igreja é restaurada e continua sempre em alto astral.

Hoje a Paróquia de Nossa Senhora do Ó é um dos acervos históricos mais importantes da cidade e faz parte do contexto histórico e cultural do município.

A igreja fica localizada no coração da cidade de São Miguel dos Campos, estado Alagoas, de frente para a Praça Padre Júlio de Albuquerque, também conhecida como Praça da Matriz.

O atual administrador da Paróquia de Nossa Senhora do Ó é o Padre Jackson Ribeiro do Nascimento. A paróquia faz parte da Diocese de Penedo.

* Nossa Senhora do Ó é a padroeira do município.





 



( Texto Escrito Por Ernande Bezerra de Moura )
* Membro Efetivo da Academia de Letras, Artes e Pesquisa de Alagoas - ALAPA e Presidente da Academia Miguelense de Letras e Artes - AMILA.
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