Estados empobrecem, políticos enriquecem: até quando o povo aceitará essa realidade?
Enquanto milhares de famílias enfrentam dificuldades para pagar as contas, conseguir atendimento digno na saúde pública, encontrar emprego ou conviver com problemas históricos de infraestrutura, uma pergunta continua ecoando entre a população: por que tantos Estados permanecem pobres enquanto parte da classe política parece acumular cada vez mais poder e patrimônio?
Em Alagoas, esse debate reaparece com força a cada período eleitoral. O cidadão comum observa o aumento do custo de vida, as desigualdades sociais, a dependência de programas públicos e a falta de oportunidades para muitos jovens. Ao mesmo tempo, vê campanhas milionárias, disputas pelo poder e uma elite política que, em muitos casos, permanece influente por décadas.
Essa percepção alimenta a desconfiança da sociedade e reforça a necessidade de transparência. É legítimo que o eleitor questione como são utilizados os recursos públicos, como evolui o patrimônio dos agentes políticos dentro dos limites da lei, quais resultados efetivos foram entregues à população e se as promessas feitas em campanha realmente se transformaram em ações concretas.
A democracia não se fortalece com idolatria a políticos. Ela se fortalece com fiscalização permanente, imprensa livre, instituições independentes e cidadãos conscientes. O voto não pode ser tratado como mercadoria nem como favor. Cada eleição representa uma oportunidade de cobrar resultados, exigir ética e renovar compromissos com o interesse público.
Alagoas possui enorme potencial econômico, cultural, turístico e humano. O Estado tem trabalhadores dedicados, empreendedores, agricultores, estudantes e profissionais que lutam diariamente para construir uma realidade melhor. O desenvolvimento depende de políticas públicas eficientes, planejamento, investimentos responsáveis e combate rigoroso à corrupção e ao desperdício do dinheiro público.
A população tem o direito de exigir que cada centavo arrecadado em impostos seja aplicado com responsabilidade. Também tem o direito de cobrar prestação de contas, transparência, respeito às leis e compromisso com o interesse coletivo, independentemente de partido ou grupo político.
A crítica à atuação de agentes públicos deve sempre ser baseada em fatos verificáveis e no interesse público, jamais em acusações sem provas. Questionar o desempenho dos governantes é um direito do cidadão e um elemento essencial da democracia.
O verdadeiro protagonista da política não deve ser o político, mas o povo. Quando o eleitor acompanha, fiscaliza, participa e vota de forma consciente, fortalece as instituições e ajuda a construir um Estado mais justo, eficiente e comprometido com quem realmente sustenta o poder público: a sociedade.
O desafio para Alagoas não é apenas escolher representantes. É construir uma cultura política em que a ética, a competência, a transparência e os resultados tenham mais valor do que o marketing eleitoral, as promessas vazias e o personalismo. Somente assim será possível romper ciclos históricos de desigualdade e promover um desenvolvimento que beneficie toda a população.
ANTONIO FERNANDO DA SILVA (FERNANDO CPI) SITE CPINEWS. JORNALISTA.
REGISTRO PROFISSIONAL DE JORNALISTA Nº 0002099/2021/MTE/BRASIL.