Quando o Poder Sobe à Cabeça: O Cargo Público Não Faz Ninguém Maior que o Povo.
A história da democracia ensina uma lição que parece ser esquecida por muitos que chegam ao poder: cargos públicos são temporários, mas o respeito ao povo deveria ser permanente.
Infelizmente, em diferentes partes do Brasil, não é raro encontrar agentes públicos que, ao assumirem funções de destaque, passam a agir como se fossem donos da verdade, proprietários das instituições ou senhores absolutos da vontade popular. Esquecem que foram colocados ali para servir, e não para serem servidos.
A humildade sempre foi considerada uma das maiores virtudes de qualquer liderança. O verdadeiro líder escuta antes de falar. Respeita antes de exigir respeito. Dialoga antes de impor. Reconhece que ninguém governa sozinho e que toda autoridade existe para atender ao interesse público.
Quando essa humildade desaparece, nasce a arrogância.
E a arrogância costuma ser o primeiro passo para o distanciamento da realidade.
O político passa a acreditar que é insubstituível. Cercado apenas por elogios e bajuladores, deixa de ouvir críticas legítimas, trata aliados com desprezo, fecha as portas para o diálogo e, muitas vezes, passa a enxergar a população apenas como um instrumento eleitoral.
Quem pensa assim esquece um princípio básico da democracia: o mandato pertence ao povo.
Nenhum cargo público transforma alguém em cidadão superior. Nenhum mandato concede licença para humilhar servidores, desrespeitar aliados, ignorar jornalistas, desprezar eleitores ou agir como se estivesse acima das leis e das instituições.
A soberba tem um preço.
A história política brasileira está repleta de exemplos de lideranças que acreditaram ser inatingíveis e acabaram derrotadas pelas urnas, pela Justiça ou pelo julgamento da própria sociedade.
O poder é passageiro.
O caráter permanece.
É justamente por isso que a população precisa abandonar a cultura da idolatria política. Democracia não combina com culto à personalidade. Políticos não são reis, imperadores nem salvadores da pátria. São representantes temporários da sociedade e devem prestar contas de seus atos.
Também é responsabilidade do eleitor não aceitar comportamentos autoritários como se fossem demonstrações de força. Confundir grosseria com firmeza, arrogância com competência ou prepotência com liderança enfraquece a democracia.
Uma sociedade madura não se curva diante de cargos públicos. Cobra resultados, exige transparência, fiscaliza e participa.
Quando um governante deixa de ouvir a população, perde a capacidade de compreender seus problemas. Quando passa a desprezar críticas, enfraquece o debate democrático. Quando acredita estar acima de todos, corre o risco de esquecer que a Constituição estabelece que toda autoridade deve agir dentro da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência.
O Brasil precisa de menos vaidade e mais compromisso público.
Precisa de líderes que compreendam que a grandeza de um mandato não está na quantidade de poder acumulado, mas na capacidade de melhorar a vida das pessoas.
O eleitor também precisa refletir sobre sua responsabilidade. O voto não pode ser um cheque em branco. Fiscalizar, cobrar promessas, acompanhar decisões e exigir respeito são atitudes essenciais para fortalecer a democracia.
No fim das contas, a política deveria ser um instrumento de transformação social, e não um palco para egos inflados.
Quem ocupa um cargo público deve lembrar todos os dias de uma verdade simples: o poder é emprestado pelo povo. E aquilo que o povo concede, o próprio povo pode retirar pelo voto, dentro das regras democráticas.
A maior autoridade de uma democracia não é o ocupante de um gabinete. É o cidadão.
E nenhuma autoridade, por mais importante que seja, está acima do interesse público, da lei ou do respeito que deve à sociedade.
ANTONIO FERNANDO DA SILVA (FERNANDO CPI) SITE CPINEWS. JORNALISTA. REGISTRO PROFISSIONAL DE JORNALISTA: 0002099/2021/MTE/BRASIL.
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS INDEPENDENTES DO ESTADO DE ALAGOAS.