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26/08/2023 às 22h48min - Atualizada em 26/08/2023 às 22h48min

Mais de 200 cirurgias para correção de língua presa são realizadas em um ano no Hospital da Mulher

Procedimento é feito pelo cirurgião dentista, depois de uma avaliação multidisciplinar realizada nos recém-nascidos

Por redação
Pequeno Ravi nasceu com a língua presa e tinha dificuldade para pegar o seio da mãe

O Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira (HM), localizado no bairro Poço, em Maceió, realizou 240 frenotomias para correção da língua presa, também chamada de anquiloglossia. O procedimento é feito nos recém-nascidos e vem sendo realizado pela maternidade da unidade hospitalar desde agosto de 2022, portanto, há um ano.

 

Com uma média de 20 frenotomias mensais, o HM garante intervenção precoce aos bebês, prevenindo, assim, a ocorrência de problemas futuros no desenvolvimento da criança. Isso porque, a anquiloglossia limita os movimentos funcionais da língua e, de acordo com estudo em nível de doutorado da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), publicado em 2022, a prevalência pode chegar a 8% dos bebês menores de um ano. Segundo especialistas, essa alteração pode gerar consequências graves, como dificuldades na alimentação, na fala, nas habilidades sociais e na saúde bucal.

A frenotomia é o corte do frênulo da língua do bebê, quando ele nasce com o freio lingual muito curto, segundo explica a cirurgiã dentista da maternidade do HM, Nicole Barros. “A gente realiza um trabalho multidisciplinar envolvendo tanto a odontopediatria hospitalar, como a fonoaudiologia e a equipe médica. Nós realizamos uma avaliação inicial dos recém-nascidos aqui na maternidade e fazemos o teste da linguinha, para avaliar se há necessidade da frenotomia. Em caso positivo, realizamos aqui mesmo o procedimento”, disse a especialista.

 

A cirurgiã dentista da maternidade do HM afirmou que o procedimento é rápido e indolor e o bebê já inicia a amamentação imediatamente após a frenotomia. De acordo com ela, o procedimento é essencial para sustentar a pega durante a amamentação, já que os movimentos da língua são essenciais para a extração do leite materno.

 

Exemplo

O pequeno Ravi veio ao mundo no último dia 1º de agosto, depois de 37 semanas de gestação. Com apenas dois dias de nascido, já realizou a frenotomia, conforme narra sua mãe, Rebeca Valéria Monteiro, de 40 anos. “Ele é meu primeiro filho e descobrimos que ele tinha a língua presa porque não estava conseguindo mamar. Eu fiquei com um pouco de medo, mas é claro que eu permiti o procedimento, pela saúde e bem-estar do meu bebê”, afirmou.

De acordo com a mãe, apesar do receio em autorizar o procedimento, uma vez que seu filho estava com apenas dois dias de nascido, a confiança passada pela equipe multidisciplinar da maternidade do HM foi fundamental para a liberar a frenotomia em Ravi. “Foi rapidinho e assim que acabou ele já veio para o meu peito e já conseguiu mamar! Agora ele está conseguindo se adaptar bem à amamentação! Foi ótimo!”, concluiu Rebeca.

 

Prevenção de Prejuízos

Fabiane Menezes, coordenadora do Serviço de Fonoaudiologia do HM, esclareceu que as equipes multiprofissionais identificaram a prevalência relativamente alta de recém-nascidos com anquiloglossia no HM, por meio de busca ativa. Segundo ela, essa é uma estratégia de investigação e possível detecção de doenças e agravos, com o intuito de diagnosticar e adotar as medidas preventivas.

 

A fonoaudióloga afirmou, ainda, que a anquiloglossia é prejudicial desde a amamentação. “A frenotomia é capaz de prevenir o desmame precoce, o ingurgitamento mamário, fissuras na mama, dor persistente no mamilo da lactante, perda de peso dos bebês, a até mesmo problemas futuros com relação à deglutição, mastigação e fala”, concluiu Fabiane Menezes.

 

Para o secretário de Estado da Saúde, médico Gustavo Pontes de Miranda, a frenotomia é um exemplo de que pequenas iniciativas podem proporcionar qualidade de vida e fazer a diferença para os usuários. "É um procedimento simples, cuja necessidade é detectada ainda na maternidade, e que impacta no bem-estar da mãe e do bebê, que não sofrerá com problemas ao longo da vida, seja quanto a deglutição dos alimentos e a fala", ressaltou o gestor da saúde estadual.

 


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